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O vazio sem carnaval
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“É carnaval, é a doce ilusão, é promessa de vida no meu coração

(Mas vem)

Vem, vem amar a liberdade, vem cantar e sorrir, ter um mundo melhor”[1]

 

 

A pandemia do coronavírus continua a dominar nossos noticiários, com milhares de adoecidos, milhares de vidas perdidas, vacinas que ainda não foram compradas, um governo que com certeza colaborou para esse quadro catastrófico que estamos inseridos, onde a perspectiva de um outro dia continua longe.

 

Negócios são paralisados, sem incentivo para sua manutenção ou continuidade de sua existência, trabalhadores perdem seus empregos, sem amparo, muitos só conseguem a sobrevivência com a caridade, e, no desespero, a vida continua com os riscos de não mais existir no amanhã.

 

O samba cantava a promessa de vida no meu coração, amando a liberdade, cantando e sorrindo, imaginando um mundo melhor.

 

O samba é uma nuvem de utopia, é nossa cachaça para perder-se numa ilusão de outros momentos. O carnaval sem qualquer dúvida é esse momento de acreditar em uma liberdade para se amar, na ilusão de um outro dia.

 

Quem sabe não ter um carnaval seja exatamente o fundo do poço, para encararmos que algo de errado estamos vivendo.

 

Viver sem carnaval, sem samba, não é viver.

 

Tomara que no pós-pandemia esse seja um dos legados. Descobrirmos que a liberdade do carnaval é o grito da esperança, onde a vida é um canto de felicidade, num mundo que não despreza do desejo das pessoas, não convive com a desigualdade ou aceita um ambiente onde o explorar do trabalho seja algo normal.

 

Que o vazio de não ter um carnaval nos soe como a batida do surdo, para mudar o ritmo de nossas vidas, cadenciando nossas expectativas, onde saibamos que aqueles que vivem para odiar jamais conseguiram entender o enredo de um samba, pois no egoísmo de suas vidas não existem passarelas de coração. Podem até tirar um dez em fantasia, mas é ilusão, pois vão perder na harmonia, uma vez que na vida em liberdade o disfarce não prevalece, o engano é passageiro. Na quarta-feira de cinzas, nós vamos descobrir que viver é muito mais do que ilusão, é um sonho do caminhar, em que todos têm direito de serem iguais, que maravilha seria viver.

 

É carnaval, é a doce ilusão, é promessa de vida no meu coração...

 

Campinas, 12 de fevereiro de 2021.

 

 

REFERÊNCIA

 

[1]Samba enredo da Mangueira em 1992, “Se Todos fossem Iguais a Você”, uma homenagem a Tom Jobim.

 

Eduardo Surian Matias

Eduardo Surian Matias

Sócio, Direito do Trabalho, Direito Sindical, Direito Coletivo do Trabalho, Direito dos Bancários E-mail: eduardo@lbs.adv.br

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