TRABALHISTA

Descumprimento de obrigações trabalhistas e a rescisão indireta do contrato de trabalho na área da saúde

NOTÍCIA

Há alguns meses, meu pai teve que se submeter a um procedimento cirúrgico, ficando internado por 5 dias.

Nesses dias que o acompanhei, presenciei o ritmo cansativo dos enfermeiros e auxiliares na execução de suas atividades, sempre com bastante dedicação e profissionalismo.

Nas diversas trocas de plantões e profissionais, pude conhecer e conversar com algumas pessoas.

Percebi que muitos trabalham em dois empregos e a grande maioria tem uma dificuldade em comum: o descumprimento de obrigações trabalhistas por seus empregadores.

Alguns trabalhadores pediram demissão, tendo em vista a ausência ou o atraso no pagamento de salários, depósitos de FGTS, recolhimentos de INSS, vale-transporte etc., deixando de receber todas as verbas salariais que tinham direito.

No entanto, você sabia que não é necessário pedir demissão de seu trabalho em razão do descumprimento de obrigações trabalhistas pelo seu empregador?

O contrato de trabalho gera direitos e obrigações tanto para o empregado, quanto para o empregador. Quando o empregado não cumpre o pactuado, o empregador tem o direito de aplicar sanções. Assim também ocorre quando o empregador não cumpre as regras do contrato de trabalho.

No caso específico do descumprimento de obrigações trabalhistas pelo empregador, o empregado pode requerer a rescisão do contrato de forma indireta. Referida ação garante o pagamento de todas as verbas rescisórias como se o contrato de trabalho fosse rescindido sem justo motivo (art. 483, d, da CLT[1]).

O art. 483 da CLT também prevê outras hipóteses de rescisão de contrato, como, por exemplo, a prática de assédio moral pelo empregador ou seus prepostos.

Reconhecida a rescisão indireta pela Justiça, o trabalhador terá direito ao pagamento de todas as verbas rescisórias (saldo de salário, aviso-prévio, 13º salário, férias vencidas e proporcionais + 1/3, FGTS e multa de 40%).

Por isso é fundamental que o colega profissional da saúde que tenha os seus direitos sonegados pelo empregador, antes de tomar qualquer decisão de rescindir o contrato de trabalho a pedido, procure um especialista ou seu sindicato para verificar a viabilidade de ação trabalhista para a rescisão indireta do contrato de trabalho com o pagamento de todas as verbas rescisórias e demais direitos sonegados.

[1]  Art. 483 – O empregado poderá considerar rescindido o contrato e pleitear a devida indenização quando:

  1. a) forem exigidos serviços superiores às suas forças, defesos por lei, contrários aos bons costumes, ou alheios ao contrato;
  2. b) for tratado pelo empregador ou por seus superiores hierárquicos com rigor excessivo;
  3. c) correr perigo manifesto de mal considerável;
  4. d) não cumprir o empregador as obrigações do contrato;
  5. e) praticar o empregador ou seus prepostos, contra ele ou pessoas de sua família, ato lesivo da honra e boa fama;
  6. f) o empregador ou seus prepostos ofenderem-no fisicamente, salvo em caso de legítima defesa, própria ou de outrem;
  7. g) o empregador reduzir o seu trabalho, sendo este por peça ou tarefa, de forma a afetar sensivelmente a importância dos salários.
  • 1º – O empregado poderá suspender a prestação dos serviços ou rescindir o contrato, quando tiver de desempenhar obrigações legais, incompatíveis com a continuação do serviço.
  • 2º – No caso de morte do empregador constituído em empresa individual, é facultado ao empregado rescindir o contrato de trabalho.
  • 3º – Nas hipóteses das letras “d” e “g”, poderá o empregado pleitear a rescisão de seu contrato de trabalho e o pagamento das respectivas indenizações, permanecendo ou não no serviço até final decisão do processo.

AUTORES

Equipe LBSEquipe LBS

Tem ampla experiência na área jurídica de Sindicatos, tendo atuado ao lado de diversas categorias como Bancários, Condutores, Servidores Municipais e Metalúrgicos, entre outros. Possui também experiência nas áreas do Direito do Trabalho, Sindical e Previdenciário.

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