TRABALHISTA

Por uma Publicidade Não Sexista

NOTÍCIA

Ao longo dos séculos, mulheres não foram vistas como dignas dos mesmos direitos que os homens. Embora tenhamos conquistados alguns direitos essas conquistas por vezes são omitidas em uma história escrita por homens.

No dia 8 de março é comemorado o dia internacional da mulher, seu papel na sociedade nos remete a uma reflexão que vai muito além de reproduzir homenagens singelas. É um dia para colocar os assuntos que precisam ser debatidos em pauta. É pra discutir sobre a luta dos direitos da mulher que ainda é oprimida em casa, na rua e no trabalho. É abrir os olhos da humanidade que prefere não saber que sete de cada dez mulheres serão espancadas, estupradas, abusadas ou mutiladas, ao longo da vida, segundo dados da Organização das Nações Unidas (ONU)¹.

E a publicidade nisso tudo? Dona da influencia direta sobre a população, a grande mídia, forma opiniões, retrata e distorce a realidade social. No espaço midiático a imagem da mulher na mídia é mercantilizada e opressiva.

Nota-se que tal assunto muitas vezes é banalizado pela nossa sociedade. Quando uma mulher se dispõe a questionar como sua imagem está sendo distorcida pela grande mídia, sempre surge um clamor reivindicando uma suposta liberdade de expressão, visto aqui como a liberdade de perpetuar modelos machistas por meio de chavões e afins.

Logo pensar sobre a imagem da mulher na mídia é lidar não só com a condição da mulher na sociedade, mas com a condição da própria mulher para si mesma, já que conforme pontua a filósofa Marcia Tiburi² a reflexão é parte importante de um processo que pensa nas mulheres no centro da sua própria mudança, ou seja, enquanto as mulheres não puderem tomar as decisões, dificilmente teremos decisões favoráveis para elas.

Dessa forma, ao questionarmos o uso ou não da imagem distorcida e abusiva de uma mulher num anúncio, temos pleno direito de discutir a vulgarização desse uso e toda uma cultura, toda uma conduta que está ali refletida e consolidada.

Verifica-se, que através dos meios de comunicação existe uma violência simbólica de gênero que precisa ser debatida quanto à violência de gênero mais explicita. No momento em que uma mulher é agredida dentro de casa, muitas violências simbólicas anteriores já se efetivaram.

Toda essa farsa orquestrada nos leva à inevitável indagação: a grande mídia não consegue fazer algo bem intencionado que não seja misógino? O mundo evoluiu, mulheres ganharam espaço, modificaram pensamentos e costumes. No entanto, não há no meio midiático tradicional a capacidade de perceber e absorver essas mudanças, porque é a cultura patriarcal que precisa sustentar a todo custo um modelo obsoleto, retrogrado e sexista.

Daí a necessidade de lutarmos e discutirmos a popularização dos veículos de comunicação, para que as mulheres não se figurem na mídia apenas como auxiliares. Necessitamos ocupar esse meio que é tão dominado por uma autonomia comercial que na prática só demonstra as mulheres em circunstâncias limitadoras.

Não podemos nos amedrontar com discursos que querem nos calar, nos fazendo acreditar que este é um tema inferior ou menos digno. Esse tema nos pertence, é a nossa existência, é a nossa emancipação, é a nossa diversidade, é a nossa resistência,… É o nosso poder!

É urgente que a mulher se empodere e desconstrua os modelos pré-concebidos sobre os papeis femininos nos meios de comunicação. A sociedade patriarcal precisa entender que as mulheres do seu meio não são bidimensionais, se alternando entre sexualidade e tarefas domésticas. Elas estão em toda parte, ocupando todo tipo de função. Por que na mídia condescendemos que seja diferente?

Vivemos em uma fase de conflito de valores, os meios de comunicação tradicionais vem cada vez mais sendo dominado por grupos religiosos, o que nos faz remeter ao pensamento de Simone Beauvoir³ – o opressor não seria tão forte se não houvesse cúmplices entre os próprios oprimidos.

A perseguição da mulher piorou na exata medida em que aumentou o poder de pessoas que não nos representam, mas estão em posições que permitem movimentos conservadores e retrógrados. Um exemplo disso? A primeira presidenta mulher do Brasil foi afastada de seu cargo, conquistado democraticamente, por decisão de deputados em sua maioria homens que compõe umas das maiores operações anticorrupção.

É necessário mostrar que é possível uma sociedade diferente, que respeita as minorias. Compete às mídias alternativas, sensíveis as problemáticas sociais, apoderar para si a luta por um mundo menos limitado e opressivo, como forma de possibilitar a emancipação individual e a consciência coletiva.

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¹ONU. Assembleia Geral das Nações Unidas. Convenção das Nações. No Dia Internacional da Mulher, ONU pede fim de todos os tipos de violência de gênero. Publicado em 08/03/2013; Atualizado em 18/09/2016. Disponível em
https://nacoesunidas.org/no-dia-internacional-da-mulher-onu-pede-fim-de-todos-os-tipos-de-violencia-de-genero/.
²PORTAL CATARINAS, entrevista com Márcia Tiburi “Um grande despertar feminista está sendo produzido”. Publicado em 05/03/2017. Disponível em http://catarinas.info/um-grande-despertar-feminista-esta-sendo-produzido-diz-marcia-tiburi/
³BEAUVOIR, S. O Segundo Sexo. Vol 2: A Experiência Vivida, Difusão Européia do Livro, 1967.

AUTORES

Franciele Carvalho Zaterka

Franciele Carvalho Zaterka

Sócia

Tem ampla experiência na área jurídica de Sindicatos, tendo atuado ao lado de diversas categorias como Bancários, Condutores, Servidores Municipais e Metalúrgicos, entre outros. Possui também experiência nas áreas do Direito do Trabalho, Sindical e Previdenciário.

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