TRABALHISTA

Não queremos um Brasil para poucos – A Reforma Trabalhista depois de cinco anos e a de necessidade resgatar os Direitos de quem trabalha

NOTÍCIA

Um novo governo eleito nos traz a possibilidade de mudanças e de transformações. Hoje, no dia onze do onze, vivemos, depois de cinco anos, uma data que poderá significar o último ano para lembrar que está em vigor uma reforma da legislação que tratou Direitos como se fossem delitos. Falamos da Reforma Trabalhista, que, num onze do onze, passou a vigorar com falsas promessas de criação de empregos e estímulo à economia.

Já tratamos ao longo desses anos de tudo que ela nos trouxe de retrocesso e das perdas de Direitos.

Para o ano que se aproxima, a expectativa é acreditar que podemos sim construir outro ordenamento trabalhista, a partir de algumas premissas.

Quem trabalha tem Diretos e eles devem ser respeitados. Quem trabalha tem direito de se organizar de forma livre, sem que mecanismos de controle impeçam essa organização, quer seja no reunir-se ou mesmo em sua constituição e em seu financiamento. Quem trabalha, em razão do desequilíbrio de forças, tem Direito à greve e Direito ao acesso à Justiça, que não existe para impedir a efetivação de Direitos.

Após cinco anos, o emprego formal se transformou em exceção. A naturalização da Reforma trouxe o conceito de ocupação: estar ocupado, ganhar algo, não importa se sem vínculo empregatício, sem proteção social e sem organização sindical. Com isso, a Reforma nos impôs um Brasil da fome. O trabalho se tornou escasso, as casas se transformaram nas ruas, a miséria virou algo permanente.

Estabeleceu-se um modelo da precarização. A terceirização que desqualifica o trabalhador, a plataformização que invisibiliza quem trabalha e a ausência de proteção e seguridade social são marcas desses anos. Assim, tratar efetivamente desses temas será o início para pensarmos outro ambiente trabalhista e de Direitos.

O Estado, nesse sentido, precisa voltar a existir nas relações de trabalho, não como simples regulador delas, mas como garantidor efetivo de Direitos.

Os próximos anos combinam um mundo das relações do trabalho com proteção, com reconhecimento e garantia de Direitos, com seguridade, que, por sua vez, também combinam em trazer o capital para um papel efetivo de produção. Não podemos nos esquecer de que a desindustrialização trocada pela financeirização é ponto essencial de perspectivas para o país e revertê-la em favor da produção e da geração de empregos é fundamental para o crescimento.

Depois desses cinco anos da Reforma Trabalhista, objetivar sua transformação é mais do que necessário. Será parte do processo que não deseja o Brasil para poucos, será o resgate de Direitos, entre tantos outros resgates que serão indispensáveis nos próximos anos.

AUTORES

Antonio Fernando Megale Lopes

Antonio Fernando Megale Lopes

Sócio

Eduardo Surian Matias

Eduardo Surian Matias

Sócio

Tem ampla experiência na área jurídica de Sindicatos, tendo atuado ao lado de diversas categorias como Bancários, Condutores, Servidores Municipais e Metalúrgicos, entre outros. Possui também experiência nas áreas do Direito do Trabalho, Sindical e Previdenciário.

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